04 maio 2016

Sobre a saudade da infância e necessidade de viver intensamente.



É incrível, né? Como o tempo passa bem embaixo do nosso nariz e a gente não percebe. Incrível como olhar uma foto de 10 anos atrás não parece que foi há tanto tempo assim. Incrível como as coisas mudam e nós nos acostumamos com elas tão facilmente, ou será que nunca nos acostumamos?
É uma dualidade dentro de mim: hora criança, hora adulta.
Parece que "a ficha não cai". Parece que vou continuar pra sempre tendo aquele jeito de criança alegre, apesar das dificuldades que já estão aparecendo pela chegada da vida adulta. Parece que mesmo fazendo tudo aquilo que "gente grande" faz, a vontade de acordar cedo e me arrastar pra sala com um edredom e um copo de leite quente com chocolate para ver desenho nunca vai sair de mim.
É uma dualidade dentro de mim: hora criança, hora adulta.
Sabe, acho que não sou a única a vivenciar isso. Acho que todos relutamos, mesmo que alguns só um pouco, a passagem de uma fase para outra. Acho que sempre vou sentir isso dentro de mim.
É uma dualidade dentro de mim: hora criança, hora adulta.
As vezes penso que não aceitei que as coisas estão mudando. As vezes penso que só estou levando a vida, sem entender direito que as coisas estão mudando. As vezes penso que já aceitei que as coisas estão mudando.
É uma dualidade dentro de mim: hora criança, hora adulta.
Já estou na faculdade; mas espera, isso parecia estar tão longe quando era pequena. Já estou trabalhando; mas calma, para mim que isso era coisa de "gente grande". Já tenho minhas próprias contas para pagar; mas já? Para mim que isso ia levar tanto tempo para acontecer.
É uma dualidade dentro de mim: hora criança, hora adulta.
É acho que realmente já sou "gente grande". Mas parece que foi ontem que olhava o pessoal do terceiro colegial e da faculdade e achava eles o máximo porque já eram grandes. Parece que foi ontem que eu brincava de desenhar casas e agora já estou cursando o que sempre sonhei e tendo que fazer casas de verdade. Parece que foi ontem que eu administrava minha mesada e agora administro meu salário.
É uma dualidade dentro de mim: hora criança, hora adulta.
Quer saber? Acho que a vida é assim mesmo. Acho que meu espírito de criança nunca vai sair de mim. Acho que sempre vou ter meu lado infantil comigo, me fazendo rir e fazendo os outros rirem, me fazendo brincar e me divertir, me fazendo sentir saudades, sempre, de quando as coisas eram simples e eu não sabia. E sinceramente, eu espero mesmo que isso nunca saia de mim, porque agora eu sei, que essa é uma parte muito importante de mim, que me completa e me faz ser quem sou hoje.
É uma dualidade dentro de mim: hora criança, hora adulta.
Espero que mesmo com essa vida adulta que já estou inserida, que eu saiba levar as coisas de um jeito mais leve e não tão a sério, que eu tenha aquele riso solto de novo por coisas bobas, que eu tenha aquela pureza que só as crianças têm, que eu não perca a fé na vida pelas adversidades que vejo pelo mundo a fora, que eu tenha sempre o espírito leve e feliz da infância em mim.
É, a vida passa e a gente realmente não percebe, e a gente não aproveita cada dia como deveríamos, e a gente implica demais com coisas pequenas, e a gente não vive pelo simples fato de não termos tempo de ver como a vida passa rápido.
Que possamos nos dar a chance de nos divertir como se fossemos criança de novo, que possamos rir e chorar facilmente, que possamos brigar mas fazer as pazes rapidamente, que possamos passar mais tempo com quem amamos e com quem realmente faz a diferença em nossas vidas, que possamos perceber que a vida é única e passa rápido demais, então que possamos aproveitar cada dia como se fosse o último e viver intensamente, com liberdade como quando o vento move uma pena e com leveza como quando ela toca ao chão.

- Beatriz Lima.


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